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Sex Shops

Neuza Maria Coelho Sabbatini


Geralmente quando quero escrever sobre algum assunto, penso em primeiro lugar na definição léxica dos termos. Para não errar, busco no famoso Aurélio a ajuda que necessito. Nesse caso específico não precisei lançar mão de nada, pois todo mundo sabe, ou pelo menos tem a idéia, do que seja uma Sex Shop. Pra falar a verdade muitos têm idéia vaga, idealizada ou errônea, mas têm uma idéia, o que já é um bom começo.

Portanto, nessas alturas, o conceito não é lá de grande importância porque o que realmente pega, nesse negócio de Sex Shop é o ato de entrar na loja, é o preconceito, o medo, a vergonha de se expor, a aversão em manipular ou pensar em usar qualquer um dos gadgets expostos na loja. 

Muito psicólogos diriam que é uma questão cultural, de educação, de trauma. Eu, em minha modesta opinião, afirmo que é absoluta falta de entrosamento entre curiosidade e desejo. Curiosidade para entrar em um mundo desconhecido e povoado de falácias cantadas em verso e prosa pela cultura repressora. Curiosidade para entrar e perguntar o que quer que seja mesmo que tudo o que perguntar seja o óbvio. Ser uma especula de rodinha. Se a curiosidade em grupo for a melhor das opções que assim seja. Vá com as amigas. Mas, se a inibição for maior por que não ir sozinha, livre e desimpedida para perguntar tudo e como quiser? A curiosidade, segundo o ditado, só mata o gato e ninguém mais.

Mesmice no casamento? Balança o casamento. Mesmice na cama? Acaba com o desejo e sem desejo não há relacionamento que se sustente. Desejo é o delta diferenciador de um relacionamento duradouro. Pode ser inerente, coisa de cheiro, de pele, de química como dizem. O desejo pode e, se for o caso deve, ser mantido através de subterfúgios mecânicos, por meio de brinquedos e filminhos que só podem ser encontrados nas Sex Shops. Desejo combina com calor, arrebatamento, tesão, com tudo de bom.

Tenho amigas que acham normal comprar em Sex Shops, enquanto outras tantas ficam ressabiadas, alertas. Não existe diferença entre comprar uma bolinha com sabor chocolate no Sex Shop ou nas Lojas Americanas. O efeito titilating das bolinhas é o mesmo. Por que então considerar o local da compra diferente? Todo mundo vai a Roma ver o Papa, então por que ir a Amsterdã e não ir ao bairro da luz vermelha? Não entendo!

Se podemos lançar mão de objetos, de sabores, de vestimentas que ajudam a manter o nível elevado do desejo dentro do relacionamento por que não lançar mão deles e viver melhor? Sex Shops são lojas onde se respira e vende coisas para o sexo, é verdade. Mas sexo é algo que não existe, por acaso? É fantasia? É coisa pra boi dormir ou realidade que vai além da procriação? Sexo é bom. Faz bem pra alma, aumenta a auto-estima, faz passar a insônia. Põe a imaginação pra correr e faz qualquer um se sentir mais jovem e feliz.

E, se você tem ainda aquela barreira em entrar na loja, ouvir o tilin-tilin da campainha de entrada anunciar a sua presença, basta clicar o seu mouse no www.sensualidadetotal.com.br  que seu pedido vai chegar em casa sem qualquer constrangimento. Este, entre tantos sites atualíssimos e cheios de tecnologia, oferece a você toda a gama de produtos que matam sua curiosidade, ministram cursos personalizados que aumentam a sua performance na cama e dão sugestões para que o seu relacionamento esteja sempre up-to-date. Às vezes mais vale ter a mão um chicotinho do que uma gaiola para o passarinho!

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Formada em Letras pela Universidade de São Paulo. Aposentada, e de bem com a vida.

Neuza Maria Coelho Sabbatini

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