Neuza Maria Coelho Sabbatini
Muitas amigas do Fale com Elas têm me feito perguntas sobre as causas da infertilidade feminina, essa malfadada incapacidade que muitas mulheres têm para engravidar após um bom período de relações sexuais sem qualquer tipo de proteção, seja ela com a pílula, DIU ou por conta de métodos de barreira como a camisinha. Pois saibam que nós mulheres não estamos sozinhas nessa sina. A infertilidade não é prerrogativa das mulheres. Os homens também sofrem com o mesmo problema.
Geralmente com o passar dos anos a mulher passa a ser uma candidata à esterilidade, uma vez que ao nascer ela traz uma carga finita de óvulos. A chance de ter um bebê vai diminuindo em 3 a 5% a cada ano, após os 30 anos e fica cada vez mais evidente depois dos 40 anos. As causas da infertilidade feminina podem ter origem nos danos causados nas trompas de falópio que, se estiverem obstruídas, podem impedir que os óvulos entrem em contato com os espermatozóides. Cicatrizes ou danos causados por doenças pélvicas, endometriose ou cirurgia na região são empecilhos para a gravidez .
A ovulação é outro fator que pode influenciar sobremaneira a infertilidade. É sabido que as mudanças hormonais sincronizadas precisam ocorrer para permitir a saída do óvulo para a fertilização. Ao mesmo tempo os hormônios preparam o amadurecimento do endométrio para que este receba o óvulo fertilizado. Se isso não ocorrer, a menstruação desce e a frustração aumenta. O nível de hormônio pode ser detectado através de um exame de sangue ou por medição da temperatura basal da mulher.
Os problemas podem também advir do útero que, em alguns casos, apresenta característica anômala impedindo a passagem do espermatozóide pelo canal cervical e para esses casos, existem como solução a inseminação intra-uterina.
Os homens ficam muito aborrecidos quando têm que fazer uma análise do sêmen. É desconfortável saber que a qualidade, a quantidade e a saúde de seus espermatozóides podem colaborar com a infertilidade do casal. Nos exames de sangue são mostrados o nível de testosterona e outros hormônios masculinos enquanto que as mulheres podem fazer biopsia do endométrio para avaliação do revestimento uterino e exames de sangue complementares para medir o nível hormonal.
Outros procedimentos mais invasivos podem ser levados em consideração pelo médico: a laparoscopia (inserção de um tubo através do abdômen) e a histerossalpingografia (série de raios-X para visualizar os órgãos reprodutores através de corantes). Ambos podem detectar a presença de alguma aderência pélvica, endometriose ou uma obstrução nas trompas de falópio.
Bem, agora que todas já sabem o que pode causar a infertilidade, nada mais justo do que mostrar o caminho para o tratamento da infertilidade feminina:
• A laparoscopia, além de detectar algum problema uterino, pode ser empregada para reconstruir os órgãos reprodutores, remover cistos, desbloquear as trompas de falópio ou ser o veículo para uma fertilização in- vitro.
• A inseminação intra-uterina é um procedimento simples de reprodução assistida. Com estímulo medicamentoso os folículos (que abrigam os óvulos) amadurecem e quando isso ocorre são fertilizados. É dessa técnica que surgem os famosos bebês gemelares, pois pode ocorrer a fertilização de um ou mais óvulos.
• A fertilização in-vitro é o método que fertiliza os gócitos (primeiro estágio dos óvulos) em laboratório e depois os insere no útero da mulher. Uma medicação é necessária para que os gócitos se multipliquem e amadureçam. Através de uma sonda eles são coletados e colocados em contato, já em ambiente externo, com os espermatozóides do homem para a fertilização. Depois de alguns dias, os gócitos fertilizados são reintroduzidos no útero da mulher. É nessa fase que os embriões excedentes são congelados e preservados.
• Num caso extremo, existe a possibilidade de ser feita a doação de gócitos para serem fertilizados in-vitro pelo pai e depois colocados no útero da mãe cujo ovário não funcione adequadamente.
• O tratamento medicamentoso ocorre no caso da infertilidade ser causada por problemas hormonais. E aqui podem ser enquadrados a obesidade e o fumo como fatores que podem impedir a fertilização.
Lembro a todas as minha amigas, mais uma vez, que cada caso é um caso e que toda mulher que tiver qualquer dúvida ou problema de infertilidade, deve procurar o seu médico ginecologista de confiança e com ele discutir abertamente os seus problemas porque somente ele poderá avaliar com segurança o método e a terapia adequada a seu caso.
Formada em Letras pela Universidade de São Paulo. Aposentada, e de bem com a vida.
Neuza Maria Coelho Sabbatini
Fale com Elas ©2005-2008 Todos os direitos reservados.
Todas as informações divulgadas no site Fale com Elas são de inteira responsabilidade de seus autores.