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Ai que dor de cabeça!

Neuza Maria Coelho Sabbatini


Muitas mulheres usam o pretexto da dor de cabeça para fugirem do compromisso sexual com seus companheiros. Quando digo – compromisso sexual – me refiro ao termo que essas mulheres usam para definir sexo como obrigação e não como prazer. Sempre fico com o pé atrás quando alguém me confidencia que faz sexo apenas para cumprir tabela, isto é, quando faz sexo de forma automática, sem interação, sem sentimento e sem prazer. Ou porque não gosta ou porque define o sexo com uma coisa chata e sem graça, ou seja, quando considera que o tempo gasto com o ato sexual poderia ser melhor aproveitado, lendo um livro, ouvindo música ou assistindo a novela da temporada. Como dizia minha sábia e querida avó, nesse quesito, é melhor ficar longe da polêmica. Só vale ouvir para não perder a amiga ou confidente.

Mas as mulheres que usam desse estratagema deveriam saber que essa atitude sempre acaba gerando um desequilíbrio sentimental difícil de ser reparado quando uma real situação física vier a ocorrer e não puder ser novamente explorada como desculpa para evitar a relação.

Dentro de uma premissa onde exista confiança e afetividade o compromisso sexual deve ser respeitado e vivenciado de forma harmônica e sem prejuízo, com sinceridade e sem evasivas. O ato sexual deve ser considerado como necessário alimento afetivo, como agente revigorador entre os parceiros e não como um fator obrigatório, desmotivante e dolorido.

Chico Xavier uma vez declarou que “o sexo faz parte da realidade da vida e que deve ser encarado com naturalidade, de forma responsável e com discernimento”. Isso é o que deveria ser passado de mãe para filha. Mas o que vejo e ouço hoje é reflexo de sexo como compromisso sexual egoísta, efêmero, válvula de escape de tensões, banal.  Deixou de ter aquele frisson que mexe com as entranhas e que ferve o sangue.

Nesse controvertido posicionamento não estão incluídas as tabelinhas (argh) do ciclo menstrual muitas vezes usadas para a contracepção; o período de abstinência sexual exigido para não mascarar o resultado de uma análise clínica específica e, muito menos, a abstinência sexual advinda do pós-parto.

Dores de cabeça são de difícil diagnóstico – todo mundo sabe – e também são as melhores desculpas que o ser humano usa para se ver livre de incontáveis situações de risco! É de praxe o mais usado dos artifícios que as mulheres se valem para fugir daquilo que lhes desagrada, daquilo que não lhes convêm no momento. E pasmem, é também um disfarce usado pelos homens para justificar o melindre de uma explicação de que no dia seguinte estarão enfrentando um exame de toque para avaliar a próstata.

Não use a dor de cabeça para escapar do sexo. Não use o desconforto sexual como desculpa para justificar suas atitudes. Procure um terapeuta. Freqüente uma academia. Passeie mais. Veja vitrines. Compre uma roupa mais sexy. Se você gosta de ler inclua alguns títulos apimentados. Leia a capa e folheie as revistas masculinas e femininas nos jornaleiros e descubra que existem muito mais desvantagens do que vantagens em fugir de uma relação sexual. Pense duas vezes antes de dizer: Hoje não amor, eu tô com  dor de cabeça!

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Formada em Letras pela Universidade de São Paulo. Aposentada, e de bem com a vida.

Neuza Maria Coelho Sabbatini

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